Os resultados imagéticos da série ‘entre-tempos’ (figura 1 e 2) recriam as paisagens fotografadas, expandindo e contraindo os contornos, pelo exercício de diferentes escalas na impressão das imagens. A simultaneidade estabelecida pela apresentação de visualidades distintas busca formalizar a condição flutuante – fluxo oscilante – dada pela articulação entre os significados do caminhar, sejam os deslocamentos na cidade ou no espaço expositivo, e a densidade informacional (transmissão de dados em rede), conformada pelo algoritmo MobMesh. Neste contexto, assume-se a dimensão temporal como o elemento norteador para gerenciar a cidade em seus possíveis modos de leitura e ocupação, que se transfiguram conforme a dinâmica de percursos no cotidiano. Nesta operação poética, a imagem resultante do processo computacional abandona a dimensão de registro fotográfico único para formalizar a condição temporal dos movimentos, enquanto a sua dimensão programável valida os modos atuais específicos de interação, circulação e atualização de dados no domínio digital.

Version 2figura1. Entre-tempos 2, 2016, 20X20cm, impressão em adesivo sobre acrílico.

figura4figura 2. Espaçamento entre placas e a projeção pela iluminação ocorre na/pela transparência da imagem.

Apesar da sincronicidade entre inscrição e a velocidade do passante, a obra ‘entre-tempos’ confronta o instante captado e datável da fotografia, enquanto apresenta uma imagem incerta. Esta constitui-se dinamicamente pela sequencia não-homogênea de elementos/padrões enquanto se apresenta dependente da experiência vivida no local fotografado. Em contraste com os ritmos temporais do cotidiano – marcados pela sucessividade de acontecimentos que se vão substituindo e anulando – a paisagem formula, recupera, repete, enfatizada como um lugar de acontecimentos. 

A experiência estética na obra ‘entre-tempos’ conforma-se em estruturas visuais que não atendem a um caráter mimético de representação, mas antes, se apresentam na dissolução do contorno figurativo para instituir um outro grafismo como elemento de significação e percepção. De maneira sucessiva e mutante, a inscrição conforma a imagem, que abriga a incomensurabilidade daquilo que nos afeta.