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Performer Cinthia Mendonça, 2013, Exposição #EmMeios5.0, Museu Nacional da República, Brasilia.

Este projeto de Luisa Paraguai e Agda Carvalho investiga a relação corpo-tecnologia, propondo um objeto vestível, nomeado uma-coisa. A proposta é refletir sobre os processos contemporâneos de individuação, como articulações entre o indivíduo e o objeto técnico, entre modos de percepção e tecnologias. A movimentação do performer e seus dados fisiológicos são monitorados e registrados em tempo real, projetando espacialidades sonoras e visualidades – dimensionalidades inventadas que resultam da interação entre informação e forma, elaboradas ou não pelo indivíduo no entendimento do sistema corpo/objeto/tecnologia. Uma-coisa tem especificidades e convoca um estado de potencialidades, nas quais o indivíduo constrói outros sentidos e leituras.

Projeto da estrutura formal

Uma–coisa foi construída com uma estrutura de tecido flexível para o uso em distintos corpos e tamanhos. A constituição da forma foi definida com a técnica de moulage, na medida em que a costura do tecido sobre um manequim pode trazer uma relação assimétrica na montagem; o resultado plástico foi uma composição modular, a partir da repetição de células, que enfatizou a movimentação do corpo do usuário e da textura do tecido. O objeto vestível cobriu o pescoço até a proximidade da cintura, e trouxe o fechamento nas costas. Nesta etapa pretende-se investigar tecidos e experimentar outras possibilidades de construções com a moulage e inserir elementos mecânicos, para ampliação da movimentação desta estrutura flexível.

Projeto dos dispositivos eletromecânicos

Os dispositivos tecnológicos de captura dos dados fisiológicos, durante esta 1a.fase, foram o relógio MIO e um oxímetro de dedo; enquanto o primeiro monitorou e enviou em tempo real via MapMyRun [aplicativo para smartphone] a frequência cardíaca do performer, o segundo foi utilizado para registrar a oxigenação dos visitantes durante a exposição. A representação gráfica destes dados foi programada no Processing e assumiu o atributo da repetição como elemento estético da visualidade. A sonoridade produzida e exibida em dois pequenos alto-falantes, embedados no objeto vestível, apresentou-se como uma narrativa linear, que orientou o percurso e movimentos da performance.

Esta estrutura tecnológica monitora, registra e arquiva os dados íntimos e momentâneos dos wearers, situando estes no contexto do espaço expositivo enquanto projeta particularidades; possibilita a leitura e amplifica os fluxos e ritmos corporais, enquanto revela os sons viscerais – atributos de energia vital. Importa assim, refletir sobre os bancos de dados crescentes no nosso cotidiano e as possíveis interpretações e conexões de informações, nem sempre visíveis aos indivíduos.

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