A experiência estética na obra ‘entre-tempos 1’ conforma-se em estruturas visuais que não atendem a um caráter objetivo de representação, mas antes, apresentam a dissolução da paisagem urbana ao evocar a percepção da dimensão temporal para instituir o grafismo como elemento de significação e percepção. De maneira sucessiva e mutante, a inscrição conforma a imagem, que abriga a incomensurabilidade das dimensões física e digital. E para compreender esta obra elencam-se a seguir dois atributos estruturais nomeados como imagem-inscrição e imagem-diagrama. Enquanto o primeiro plota a velocidade na ordem do visível, entre o fixo e o flutuante, o segundo termo evidencia as dimensões de ‘escala’ e ‘repetição’ na formulação estruturante. 

A imagem-diagrama enquanto ‘escala’ (diante da possibilidade de impressão em materiais diversos) reorganiza-se, não mais importando o contorno e a resolução da interface digital, para ganhar amplitude em suas dimensões físicas. Este trabalho ocupa a área de 200cm x 40cm [figura1 e a direita na figura 2] e 80cm x 40cm [a esquerda na figura2] para sugerir metaforicamente a perspectiva do motorista no interior do automóvel e, sintaticamente, materializar os padrões de deslocamentos do mesmo. A imagem-diagrama enquanto ‘repetição’ conforma ritmo, a partir de um alinhamento irregular sucessivo (pattern) de elementos distintos em uma composição não-homogênea – series complementares e justapostas.

IMG_4838figura1. Entre-tempos 1 (2016), 200cm x 40cm, impressão ACM.

IMG_4836figura2. Entre-tempos 1 (2016), justaposição espaços não-contíguos.

O contexto da obra ‘entre-tempos 1’ revela a dimensão temporal como o elemento chave para gerenciar a cidade e seus possíveis modos de ocupação. Enquanto o tempo de leitura das imagens estáticas revela-se sempre uma oportunidade de controle por parte do observador, que pode contrair ou distender conforme sua disposição e demandas internas, o leitor das imagens em movimento encontra-se ordenado pelo movimento contínuo e irreversível da projeção. A obra ordena patterns em formas, enquanto formulações sobre o processo do fazer, do transformar para conhecer, que resultam em materialidades, sejam audiovisuais e/ou impressas. Os resultados imagéticos estendem e/ou condensam a relação espaço/tempo, questionando modos de presença na/pela instabilidade de ocupação do espaço, que por sua vez mostra-se migrante e transitória enquanto redimensiona os fluxos e os devires – modos de apreensão do mundo.